Municípios da Serra D’Ossa passam título de Cidade do Vinho para o Baixo Alentejo

Durante este ano de 2026, o título de Cidade Europeia do Vinho será partilhado pelos 13 municípios do Baixo Alentejo.

O Teatro Bernardim Ribeiro, em Estremoz, recebeu no passado dia 31 de janeiro a Gala de Encerramento da Cidade do Vinho 2025, cujo evento marcou o culminar de um ano de promoção conjunta dos Municípios da Serra d’Ossa – Alandroal, Borba, Estremoz, Redondo e Vila Viçosa – e a transição oficial do título para o Baixo Alentejo.

Apresentada por José Gonçalez, a cerimónia contou com as intervenções dos presidentes dos municípios da Serra D’Ossa e de representantes de outras entidades envolvidas no projeto.

Luís Encarnação, presidente da Associação de Municípios Portugueses do Vinho (AMPV), entidade que há quase duas décadas impulsiona este projeto da Cidade do Vinho, sublinhou o sucesso do programa desenvolvido pelos cinco municípios ao longo do ano passado e o qual “contribuiu amplamente para promover o território, os vinhos, o enoturismo e projetar ainda mais a Serra D’Ossa no país e além fronteiras”.

O presidente da AMPV destacou ainda a importância das candidaturas conjuntas a este projeto, que colocam autarcas, técnicos e agentes da economia local a trabalhar em conjunto, e afirmou que “o mais importante é o legado que a iniciativa deixa”.

A promoção do vinho enquanto produto cultural é um dos principais objetivos da AMPV e Luís Encarnação assegurou que os municípios podem contar com a associação, “que está empenhada em consolidar o trabalho de promoção dos territórios vinhateiros e do interior, numa perspetiva de que o vinho, o azeite e a cortiça têm um papel extremamente importante na valorização dos territórios, na economia local e na fixação de pessoas”.

Autarcas destacaram o sucesso do projeto Cidade do Vinho 2025

Na sua mensagem de boas vindas, o presidente do município de Estremoz, José Daniel Sádio, felicitou a AMPV “por unir e agregar os municípios e os territórios vinhateiros”, pela dinâmica dos seus projetos, por impulsionar o trabalho em rede e fomentar e promover projetos nacionais e internacionais como a Cidade do Vinho”, afirmando que “a coesão entre os cinco municípios da Serra D’Ossa saiu claramente reforçada”.

João Grilo, presidente do município de Alandroal, que dos cinco municípios é o que menos vinho produz, frisou que, perante a razão pela qual o município decidiu fazer parte deste projeto deveu-se à oportunidade de “promover um dos nossos setores que mais pode crescer” e por reconhecer que “ao trabalhar em rede conseguimos chegar mais longe”.

O presidente de Borba, Pedro Esteves, também destacou o legado que a iniciativa deixa. “Este projeto não é um ponto de chegada, mas um ponto de partida para uma afirmação mais sólida do nosso território, reforçando a cooperação entre os municípios para novos projetos”.

O trabalho de todos os que se dedicam ao cultivo da vinha e à produção do vinho foi enaltecido por David Galego, presidente do município de Redondo. “O que se celebra hoje é o trabalho realizado por todos, em conjunto e com qualidade”, referiu, acrescentando que “a Cidade do Vinho foi um sucesso porque nos focámos na terra e naquilo que é genuíno, nas iniciativas de pequena escala, mas que projetaram muito o nosso território”. 

Também Vila Viçosa endereçou palavras de agradecimento à AMPV por impulsionar este projeto. Inácio Esperança referiu que a vinha e o vinho também não são muito expressivos no concelho, no entanto, “a AMPV tem sido importante para abrir horizontes e para, através deste tipo de projetos, nos desafiar a trabalhar em conjunto e unir todos aqueles que estão ligados ao setor numa promoção conjunta do produto vinho e de todo o mundo rural”.

Também intervieram nesta gala José Santos, presidente da ERT Alentejo, que destacou o facto do Alentejo ter sido a região que mais cresceu em dormidas turísticas e que o vinho e o enoturismo têm sido muito importantes para este crescimento. “O enoturismo é a aliança mais virtuosa que o Alentejo tem entre o vinho e o turismo. É tema central na estratégia de desenvolvimento turístico, mas também de desenvolvimento regional”, afirmou.

Já o diretor Laboratório da CVR Alentejo, Luís Pedro Amorim, destacou a qualidade dos vinhos da região, que é única no país pelo facto de quase cem por cento do vinho produzido ser certificado. “Não é o volume que nos move, é a qualidade”, afirmou.

Baixo Alentejo é Cidade Europeia do Vinho 2026

No momento da passagem do testemunho, a Embaixadora dos Territórios Vinhateiros, Inês Carvalho, subiu ao palco para entregar a bandeira da AMPV ao Baixo Alentejo – Cidade Europeia do Vinho 2026.

António José Brito, presidente da Comunidade Intermunicipal do Baixo Alentejo (CIMBAL), afirmou que “estamos prontos para assumir este desafio. Será um ano de grande qualidade na promoção do vinho, do território e da cultura. A fasquia está alta, mas estamos prontos para cumprir e responder às expetativas e orgulhar todo o Alentejo”. 

Durante este ano de 2026, o título de Cidade Europeia do Vinho será partilhado pelos 13 municípios do Baixo Alentejo, designadamente, Aljustrel, Almodôvar, Alvito, Barrancos, Beja, Castro Verde, Cuba, Ferreira do Alentejo, Mértola, Moura, Ourique, Serpa e Vidigueira.

A gala contou ainda com vários momentos de animação cultural, oriundos dos cinco concelhos da Serra D’Ossa, designadamente, Tozé Bexiga (Alandroal), Carolina Matos (Borba), José Gonçalez e José Geadas (Estremoz), Cantadeiras de Redondo (Redondo) e Leolinda e Paulo Trindade (Vila Viçosa).

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