WINE IN MODERATION — Associação das Rotas dos Vinhos de Portugal entrevista João Goulão

No âmbito da dinamização do programa "Wine in Moderation", a Associação das Rotas dos Vinhos de Portugal (ARVP) entrevistou João Goulão, diretor geral do Serviço de Intervenção nos Comportamentos Aditivos e Dependências (SICAD)

1- Atualmente, qual a tendência do consumo de álcool em Portugal? Que indicadores são mais positivos e, por outro lado, onde é necessário reforçar a atuação?
Portugal tem um dos maiores consumos per capita de bebidas alcoólicas na União Europeia, contudo a situação do país em matéria de álcool apresentada recentemente na Assembleia da República (em conjunto com outros comportamentos aditivos) indica-nos genericamente que as mulheres e os mais velhos estão a consumir mais. Outro indicador importante é o de que os jovens experimentam beber um pouco mais tarde, de qualquer modo, é preciso afirmar que, até aos 18 anos, o consumo de bebidas alcoólicas é proibido no nosso país. A atuação deve ser coerente e permanente, abrangendo todas as faixas da população. De momento talvez devamos reforçar a informação junto das mulheres e dos cidadãos com mais idade, mas mantendo sempre uma informação contínua junto dos jovens porque é com eles que podemos fazer “a diferença”.

2- Que peso tem o vinho no consumo de todas as bebidas alcoólicas consumidas em Portugal e em que faixas etárias é que esse consumo é mais preocupante? 
Segundo o IV Inquérito Nacional ao Consumo de Substâncias Psicoativas na População Geral 2016/2017, cerca de 35% dos consumidores de bebidas alcoólicas, bebem vinho diariamente. O consumo de vinho em litros e per capita em Portugal, no ano de 2014 foi de 5,99 l junto da população com 15 ou mais anos, o que a torna na bebida alcoólica mais consumida pelos portugueses. Contudo, os dados permitem-nos afirmar que são os mais velhos que bebem mais enquanto que a população mais jovem prefere as bebidas espirituosas e a cerveja.Tendencialmente, são os homens que bebem mais.  

3- Como tem evoluído o consumo do álcool, e sobretudo do vinho, em particular na população mais jovem?
Especificamente na população mais jovem podemos dizer, segundo os resultados dos estudos realizados em meio escolar, que  - de 2011 para 2015 - a tendência geral foi de: Diminuição na percentagem de consumidores de bebidas alcoólicas tanto a nível europeu, como a nível nacional em cada um dos grupos etários dos 13 aos 18 anos,  com exceção apenas dos alunos de 18 anos no que respeita aos consumos ao longo da vida e recentes (últimos 12 meses que antecederam a realização do estudo) em que houve estabilidade; Em Portugal, esta tendência global ocorreu também relativamente aos consumos atuais de cerveja e bebidas destiladas/espirituosas mas não quanto ao consumo de vinho que se manteve estável entre os mais novos e aumentou entre os mais velhos; De um modo geral, também diminuiu a percentagem de alunos que declararam ter-se embriagado quer ao longo da vida, quer no últimos 12 meses ou nos últimos 30 dias que antecederam os estudo. A exceção foi de novo o grupo dos alunos mais velhos (18 anos) onde as percentagens se mantiveram estáveis.

4- Enquanto serviço que promove a redução do consumo de substâncias psicoativas e a prevenção dos comportamentos aditivos, que desafios se colocam ao SICAD para que haja uma maior consciencialização dos perigos e consequências do consumo excessivo de álcool?
Através do FNAS – Fórum Nacional Álcool e Saúde, temos conseguido juntar os vários agentes que se movem nesta área. Desta forma, ouvimos todos, trabalhamos com todos e todos têm oportunidade de dar o seu contributo para que reduzamos o consumo nocivo do álcool. Está cientificamente comprovado que a ingestão de bebidas alcoólicas é prejudicial à Saúde e que não existe um consumo sem risco associado, pelo que o trabalho do FNAS é essencial nesta matéria. Congratulamo-nos por ter no Fórum entidades que representam tanto a área da Procura como da Oferta, como é o caso da ARVP (ligada à Oferta) que, apesar do seu posicionamento no mercado, não deixa de mostrar preocupação com a Saúde Pública e assume a realização dos compromissos nacionais e europeus em matéria de consumo nocivo de bebidas alcoólicas. O nosso grande desafio, à data, é o de continuar a alargar o número de entidades que fazem parte do FNAS e o número de compromissos que, por elas, são assumidos. Só um trabalho em rede e participativo pode vir a dar frutos no futuro. 

Publicado em: 08, Março 2018
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